quinta-feira, 25 de março de 2021

Principais perguntas sobre monitoramento da água


1) Por que a qualidade das águas é monitorada?

Pois é preciso verificar se a água está apropriada aos diversos usos que dela fazemos, como consumo humano, irrigação, lazer, entre outros. Cada uso requer uma qualidade específica, e com o monitoramento é possível saber se a água está adequada para a sua utilização.

2) Como se monitora a qualidade das águas?

Por meio de campanhas de campo em que técnicos visitam pontos pré-definidos em rios e lagos, coletam amostras e encaminham aos laboratórios onde são feitas as análises físico-químicas e biológicas necessárias. Para que se possa acompanhar a evolução da qualidade das águas naquele ponto do rio, o monitoramento deve ser realizado de acordo com a frequência planejada. Por exemplo, a cada três meses deve-se coletar uma nova amostra.


3) Quais parâmetros devem ser monitorados?

Os parâmetros, ou substâncias presentes na água, a serem monitorados dependem do uso que fazemos dela. Por exemplo, em balneários é essencial o monitoramento dos chamados coliformes termotolerantes, um determinado tipo de bactéria que indica a presença de outros microrganismos causadores de doenças transmissíveis pelo contato com a água. Em rios que atravessam as cidades, é importante avaliar outro parâmetro denominado DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio). Sua presença em níveis elevados pode indicar o lançamento no rio de esgotos não tratados.

4) O que significa IQA?

IQA – Índice de Qualidade das Águas é um indicador que permite aferir, de maneira didática, a qualidade das águas em um determinado trecho de rio, especialmente a contaminação causada pelo lançamento de esgotos domésticos. Trata-se de um indicador que agrega os resultados de uma série de nove parâmetros por meio de uma expressão matemática. Os resultados dessa expressão permitem fazer a classificação dos trechos de rio em faixas de qualidade ótima, boa, razoável, ruim e péssima.

quarta-feira, 24 de março de 2021

Poços artesianos: vantagens, manutenção e potabilidade


Existem três tipos de poços, o artesiano, o semiartesiano e o freático. No primeiro, a água é captada, por pressão natural, após a escavação do subsolo. No segundo, a água é captada por bombeamento. Nesse caso, como este é mais profundo, sua vazão é até mil vezes mais eficiente. Por fim, no poço freático, também conhecido como cisterna ou poço caipira, a água é captada superficialmente dos lençóis freáticos.

“Os poços artesianos são perfurados com o objetivo de captar a água de boa qualidade, própria para o consumo. Esta se encontra armazenada no lençol freático. Como é livre de poluentes e agentes contaminantes, apresenta características biológicas, físicas e químicas, que a tornam potável”, explicam Joaquim Aurélio Gomes e Francisco Markowicz Júnior.


Quais as principais vantagens?

Em comparação com outras técnicas de captação de água, a construção de poços artesianos ocorre em tempo significativamente curto. Normalmente, são necessários entre 5 e 20 dias até que a água comece a jorrar por pressão. Esta é uma forma sustentável e ambientalmente correta de captar água do subsolo, pois os impactos ambientais são praticamente imperceptíveis.

Outra grande vantagem do poço artesiano é a disponibilidade de água natural, limpa e com minerais benéficos ao organismo humano. Sendo assim, este é um investimento com grande viabilidade e retorno. Principalmente pela economia com relação à conta de água.

Quais os cuidados com manutenção?

O poço artesiano não requer manutenção contínua. Entretanto, torna-se fundamental realizá-la como prevenção. Nesse caso, o poço deve ser inspecionado anual ou bianualmente. Durante a manutenção, são avaliados todos os equipamentos elétricos e hidráulicos do poço artesiano. Principalmente a bomba, os quadros de comando, os tubos e os cabos.

Critérios para avaliar a potabilidade da água

Um dos principais cuidados com a água captada do poço artesiano é a sua qualidade, mais especificamente a sua palatabilidade. De acordo com a Portaria MS nº 1.469, de 29 de dezembro de 2000, da Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a potabilidade da água deve ser avaliada com base em alguns critérios. O primeiro deles, refere-se ao pH, que é avaliado com o auxílio de um equipamento chamado pHmetro.

Outro critério avaliado é em relação à turbidez, ou seja, se a água é (ou não) doce e potável. Da mesma forma, é avaliada a dureza, isto é, a concentração de íons de minerais dissolvidos na água. Sem falar da análise da quantidade de cloreto, que é um regulador de acidez, além do cloro residual livre (medido com fita teste). Nesse caso, este pode chegar a 0,5 miligramas/litro (no mínimo).

Fonte: Tecnologia no Campo
Por Andréa Oliveira

segunda-feira, 15 de março de 2021

Projeto de reaproveitamento de água: tipos de águas e usos


 Por Ane Denise Piccinini de Maldonado

Abordaremos neste post os tipos de água a serem consideradas no projeto de reaproveitamento de água de uma edificação e as variáveis necessárias para seguir as boas práticas de um sistema eficaz. Importante ressaltar que as variáveis devem ser aplicadas em conjunto para evitar a criação de um sistema vulnerável e deficiente.

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A figura abaixo resume o fluxo de informações que devemos levar em conta em um projeto de reaproveitamento de água:

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Para pensar:

  • Um banho de 15 minutos gasta até 135 litros de água.
  • O simples fato de escovar os dentes pode gastar 6 litros de água.
  • Lavar o rosto consome até 2,5 litros de água.
  • Você pode gastar 12 litros de água ao se barbear por 5 minutos.
  • Gasta-se 280 litros de água em 15 minutos de lavação de roupas no tanque.
  • 1 ciclo de lavadora de roupas gasta em média 135 litros de água.

Primeiramente, é essencial conhecer os tipos de água que podem abastecer o projeto de reaproveitamento de água. Vamos focar especialmente nas águas pluviais (mais aceitas pelos usuários) e nas águas cinzas. Confira a vantagem de cada uma, aplicações e recomendações técnicas pertinentes ao trabalho do projetista.

1. Águas pluviais: resultantes da chuva que escoa sobre os telhados, coberturas, terraços, varandas.

Esse tipo é o mais recomendado para o projeto de reaproveitamento de água, devido as suas características e por ser culturalmente mais aceito pelos usuários. A NBR 15527 já normatizou o uso e aproveitamento das águas pluviais, dando aos profissionais da área o respaldo técnico para a concepção de um sistema mais eficaz de reaproveitamento.

Aspectos qualitativos

As qualidades físicas, químicas e microbiológicas, além dos aspectos estéticos, podem limitar a aceitabilidade do recurso para reuso de água em edificações. Para usos menos nobres, como a irrigação urbana ou para a descarga de vasos sanitários, no caso das edificações, a aparência da água não deve ser diferente daquela apresentada pela água potável, ou seja, deve ser clara, sem cor e sem odor.

Se o uso da água da chuva se destina à recreação, a água recuperada não deve estimular o crescimento de algas. A água deve ser percebida como segura e aceitável para o uso pretendido e os órgãos de controle devem divulgar tal garantia. Esta diretriz pode ocasionar a imposição de limites conservadores para a qualidade da água.

É importante lembrar que a Organização Mundial da Saúde define os critérios de saúde para o reuso potável: não deve existir nenhum coliforme fecal em 100ml, nenhuma partícula virótica em 1000ml ou nenhum efeito tóxico para seres humanos, entre outros critérios de potabilidade da água.

Esta água deve ser, de forma imprescindível, clorada para seu reuso em edificações, quando ele se destina a lavagem de pisos, lavagem de carros, uso em descargas de vasos sanitários, ou seja, em todos os processos em que o reuso tenha contato humano. Isto porque esta água contém inúmeros agentes infectocontagiosos e coliformes fecais, provindos dos telhados, onde pássaros, ratos, insetos dos mais variados defecam.

Vantagens de reutilização da água pluvial

– reduz o consumo de água da rede pública e o custo de fornecimento da mesma;

– evita o consumo de água potável onde o uso não é imprescindível, como na descarga de vasos sanitários, irrigação de jardins, lavagem de pisos, etc.;

– os investimentos são de baixo custo e a obra é rápida;

– manutenção e operação mínimas para adotar a captação de água pluvial;

– o retorno do investimento ocorre a partir de dois anos e meio;

– ajuda a conter as enchentes, represando parte da água que seria drenada para galerias e rios;

– encoraja a conservação da água, a autossuficiência e uma postura ativa perante os problemas ambientais das cidades.

2. Águas cinzas: efluente doméstico que não possui contribuição da bacia sanitária e pia de cozinha.

As águas cinzas são geradas a partir de processos domésticos como lavar louça e roupa e tomar banho. Assim, esse tipo de água corresponde entre 50 a 80% de esgoto residencial. Importante não confundir com as águas negras, que são residuais de vasos sanitários.

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projeto de reaproveitamento de água cinza acarreta benefícios ambientais e financeiros, pois substitui volumes de água potável onde esta não é necessária. No entanto, é fundamental que as águas cinzas atendam a alguns requisitos básicos de qualidade. Isso porque, quando estão fora dos padrões desejados, as águas tratadas podem causar problemas de odor e de saúde pública, comprometendo todo um conceito de reuso.

Aspectos qualitativos

A composição das águas cinzas têm influência direta com as características regionais e culturais dos usuários, tais como: localidade e ocupação; faixa etária dos usuários, estilo de vida, classe social, uso de produtos de limpeza, medicamentos e cosméticos, horário de uso da água, etc.

Esse tipo de água possui sólidos suspensos, compostos nitrogenados, fósforos totais, compostos de enxofre, DBO, DQO e coliformes fecais para serem considerados em seu tratamento de remoção.

Quanto aos aspectos físicos, turbidez, cor, temperatura e concentração de sólidos dissolvidos são os mais importantes a serem considerados.

  • A temperatura contribui para o desenvolvimento de microrganismos, enquanto a turbidez e a concentração de sólidos dão pautas importantes para possíveis entupimentos nas tubulações que transportam os efluentes.
  • O costume de urinar durante o banho impacta em níveis mais altos de compostos nitrogenados no efluente a ser considerado no tratamento. Quanto aos compostos de enxofre, cabe destacar a ocorrência de gás sulfídrico, gerador de maus odores.
  • A alcalinidade e a dureza podem, assim como a turbidez e a concentração de sólidos dissolvidos, dar indicações sobre possíveis problemas com entupimentos das tubulações. Óleos e gorduras são importantes, podendo ser parâmetro crítico de controle do sistema de tratamento.
  • As águas cinzas normalmente contêm organismos patogênicos, dentre eles, bactérias, vírus e parasitas, em concentrações menos elevadas do que em esgotos domésticos convencionais, mas elevadas o suficiente para causar riscos à saúde.

A NBR 13.969/97 traz recomendações qualitativas para o reuso de águas cinzas:

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Vantagens de reuso

Criar um projeto de reaproveitamento de água cinza resulta em economia de água potável, economia de energia elétrica e menor produção de esgoto sanitário nas edificações. Em uma visão macro, resulta em preservação dos mananciais, por diminuir a quantidade de água captada e por reduzir o lançamento de esgoto pelas áreas urbanas, além de reduzir o consumo de energia elétrica no tratamento da água e do esgoto (GONÇALVES et al, 2006).

3. Águas de drenagem de fundação (lençol freático): água resultante do processo de drenagem feito na etapa de fundação da obra para rebaixamento do lençol freático através de poço de bombeamento.

Essas águas ainda são pouco utilizadas no projeto de reaproveitamento de água, principalmente porque a maioria dos projetistas não dão atenção ao seu potencial de utilização. Quando o lençol freático é aflorante, ou em edificações que fazem uso de subsolo de garagens, a execução das fundações prediais passam necessariamente pelo rebaixamento do lençol freático. Este rebaixamento pode ser feito com um olhar voltado para o reaproveitamento destas águas provindas do lençol freático.

Neste caso, o uso de um poço drenante, que seria provisório para a etapa de fundação da obra, passa a ser concebido para atuar de forma permanente na edificação, recalcando futuramente estas águas também para o reaproveitamento. A água pode ser usada em vasos sanitários, regas de jardins e lavagem de pisos. No entanto, vale a pena um estudo qualitativo para definir o seu reaproveitamento, bem como uma análise de interferência no lençol freático sobre fundações de prédios vizinhos. Isso evita o risco de desmoronamentos.

Mas existe um potencial bastante promissor e permanente neste tipo de reaproveitamento. Em grandes centros urbanos, onde as edificações possuem subsolo de vários pavimentos e o volume de água do lençol freático é grande, este reaproveitamento já está sendo recomendado de forma vantajosa.

Aspectos qualitativos

A qualidade dependerá do tipo de lençol freático captado. Pode ser mais frequente a presença de cor, principalmente se for retirada de solos argilosos. Assim, um tratamento de remoção da cor deve ser considerado, sempre e quando seus usuários objetem o seu uso quanto a esta qualidade. Se o lençol freático for contaminado, também demanda desinfecção. É sempre recomendável encaminhar amostras desta água para análise laboratorial a fim de comprovar a sua qualidade e definir no projeto o correto reaproveitamento com medidas de tratamento.

Vantagens de reutilização da água de lençol freático

Uma das principais vantagens é a constante oferta, não sendo limitada a períodos de estiagem como as águas pluviais, garantindo uma economia substancial em poupar água potável.

Desvantagens de reuso

A permanente manutenção do sistema de bombas no poço e a eventual falta de energia elétrica podem acarretar problemas de inundação de subsolo. Isso em casos de não haver uma vedação correta nas tampas de inspeção do poço elevatório e/ou estas não forem edificadas para resistirem às forças de empuxo das águas do lençol freático.

O desconhecimento do lençol freático e seu entorno com outras fundações de edificações vizinhas pode impactar em colapsos de estruturas vizinhas, resultando em sérios problemas. Neste caso, um estudo hidrogeológico do entorno passa a ser fundamental para a decisão de reutilização da água do lençol freático.

quarta-feira, 10 de março de 2021

Água da chuva é potável?


A água da chuva não é considerada potável em seu estado original, mas pode ser tratada em casa para beber. Entenda.

Água da chuva é potável?

água da chuva não é considerada potável por conta da existência de substâncias contaminantes na atmosfera. Essas substâncias tóxicas estão presentes principalmente nos centros urbanos e nas cidades industriais e contaminam a água que cai com a chuva.

Na queima de combustíveis, são liberados gases cancerígenos como o benzeno e outros poluentes. Entretanto, mesmo em cidades afastadas dos centros urbanos e de cidades industriais, o ar pode estar contaminado.

Isso porque os poluentes podem se deslocar por longas distâncias. Além disso, a água da chuva formada no campo pode ter excesso de cálcio e potássio. Já as nuvens do litoral têm sódio em excesso. Essas substâncias podem causar hipertensão e problemas de coração, entre outros. Ou seja, em seu estado original, a água de chuva não é recomendada para consumo. Até mesmo a água da chuva armazenada em cisternas não é potável, precisa ser tratada antes. Entenda como você pode tratar a água da chuva para beber:

Como tratar água da chuva para beber

Se você está pensando em beber a água da chuva, lembre-se que antes de tudo é preciso armazená-la corretamente. A melhor forma de armazenar água da chuva é utilizando uma cisterna e quanto mais rapidamente a água for utilizada, melhor.

Existem diversos tipos de cisterna que podem ser a solução ideal para quem busca armazenar água, principalmente a da chuva.

Armazenar e reutilizar água da chuva é ecologicamente viável. Isso porque o armazenamento de água da chuva permite que se economize água potável, diminuindo a pegada hídrica. Mas você também pode aproveitar a cisterna para reutilizar a água de reúso da máquina de lavar, do ar-condicionado, entre outras. Para conhecer os tipos de cisterna dê uma olhada na matéria: "Tipos de cisternas: modelos do cimento ao plástico".

Entretanto, por ser ser proveniente da chuva, essa água não é considerada potável em seu estado original, pois pode conter partículas de poeira, fuligem, sulfato, amônio e nitrato, como já foi dito. Portanto, se não for tratada antes, essa água não é adequada para beber. Ainda assim, ela pode ser usada nas tarefas domésticas que mais consomem água, como lavar o quintal, a calçada, o carro e até no vaso sanitário (mas tome muito cuidado na hora de instalar sua cisterna no encanamento de sua casa para que a água da chuva não chegue perto de uma torneira com água destinada para ingestão).

Ainda assim, mesmo em regiões metropolitanas, onde a concentração de poluentes no ar costuma ser mais elevada, a água da chuva pode se tornar potável e apta para consumo se for bem filtrada e tratada. Segundo o professor do Departamento de Saúde Ambiental da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), Pedro Caetano Sanches Mancuso, "o processo de purificação pode ser realizado em casa. Quanto mais limpa for a captação, melhor. Assim que armazenar, a água pode ser colocada em filtros convencionais de cozinha, onde a vela, se bem mantida, remove partículas. Após esse processo o ideal é que a água seja fervida por pelo menos cinco minutos para acabar com as bactérias. Depois disso estará pronta para o consumo”.

Mas é essencial fazer o descarte da primeira leva recolhida, pois as chuvas passam pelo telhado e correm por alguma calha e, devido à poluição e poeira na cidade, esses locais ficam muito sujos. Por isso o primeiro volume da chuva deve ser desprezado e captado apenas alguns minutos depois.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 110 litros diários por pessoa é o suficiente para realizar todas as necessidades, inclusive as de hidratação.

Para o bom armazenamento da água da chuva, é preciso utilizar filtro na cisterna, evitando o aparecimento de mosquitos vetores de doenças. Armazenar água não é brincadeira, é necessário disciplina. As calhas devem ser limpas periodicamente para impedir a contaminação por fezes de ratos ou de animais mortos, entre outros cuidados. Para saber sobre os cuidados e as vantagens do armazenamento de água da chuva com mais detalhes, dê uma olhada na matéria: "Captação de água de chuva: conheça as vantagens e cuidados necessários para o uso da cisterna".

Como conservar a água da chuva que se tornou potável

Para armazenar água potável também é preciso cuidado. A melhor forma é utilizar recipientes de vidro limpos (de preferência com água quente) específicos para esse fim. Mas você também pode utilizar aço inoxidável.

água que será armazenada deve ser fervida para eliminar eventuais bactérias e larvas. Para aumentar a eficácia da proteção contra organismos vivos você pode adicionar 16 de gotas de cloro sem cheiro a cada 20 litros de água. O cloro é muito eficaz para eliminar micro-organismos patógenos e tem salvado a humanidade de doenças infecciosas há muitos anos. Entretanto, seu uso a longo prazo também está associado ao desenvolvimento de alguns tipos de câncer.

Lacre a garrafa e deixe-a longe da luz do sol. Se você não encontrou nenhuma garrada de vidro ou de inox e optou pelo plástico para armazenar a água, mantenha o galão longe de gasolina, querosene e pesticidas, pois a evaporação pode permear o plástico.

Por que não armazenar água potável em garrafa PET

Um dos principais problemas da reutilização dessas garrafas é a contaminação bacteriana. Isso porque as garrafas são um ambiente úmido, fechado e com grande contato com a boca e com as mãos, um local perfeito para as bactérias se procriarem. Um estudo realizado a partir de 75 amostras de água das garrafas que alunos do ensino básico utilizaram durante meses, sem jamais as lavarem, descobriu que cerca de dois terços das amostras apresentavam níveis bacterianos acima dos padrões recomendados. A quantidade de coliformes fecais (bactérias provenientes das fezes dos mamíferos) foram identificadas acima do limite recomendado em dez amostras das 75 estudadas. As garrafas não lavadas funcionam como criadouro perfeito de bactérias, afirma Cathy Ryan, uma das responsáveis pelo estudo.

Além disso, não adianta lavar a garrafa PET, pois há contaminantes plásticos que não são eliminados, como os bisfenóis. Para saber mais sobre eles, dê uma olhada na matéria: "Conheça os tipos de bisfenol e seus riscos". Para conhecer com mais detalhes os perigos de reutilizar a garrafa PET, dê uma olhada na matéria: "Descubra os perigos de reutilizar sua garrafinha de água".

Quanto tempo a água pode ficar armazenada

De acordo com o professor do Departamento de Saúde Ambiental da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), Pedro Caetano Sanches Mancuso, a água armazenada ou industrializada tem prazo de validade. É preciso que o consumidor observe as datas de fabricação e vencimento na embalagem. A validade dos galões de 20 litros, por exemplo, varia de 60 a 90 dias, com o vasilhame lacrado. Depois de aberto, a validade é de duas semanas.

Se a água for engarrafada em vidro, a validade é de 24 meses e, se for engarrafada em plástico, 12 meses após a data de fabricação.

Água na geladeira estraga?

O que acontece não é bem que a água 'vence o prazo', mas que ela pode ser contaminada de duas maneiras. A primeira é quando você deixa a água em um recipiente aberto à temperatura ambiente por muito tempo. Nessas circunstâncias, você efetivamente fornece um terreno fértil para bactérias, algas e, mais comumente, mosquitos. A segunda forma de contaminação é quando o galão onde você armazena a água começa a soltar substâncias químicas. A melhor forma de evitar esse tipo de contaminação é utilizando recipientes de vidro e consumir a água o mais rápido possível, de preferência até 15 dias quando ela for guardada na geladeira. Evite o consumo de água armazenada de forma caseira há mais de três dias fora da geladeira. Do contrário, é preciso realizar o tratamento novamente. 

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Para que serve o sistema de retenção de sólidos?


A filtração é um processo essencial na utilização do recurso hídrico. Ela permite a separação de sólidos em meios líquidos, fazendo a retenção de elementos que prejudicam a qualidade da água e afetam sua potabilidade.

Esse processo se dá quando induzimos o líquido através de um elemento poroso que retém as partículas sólidas, mas não impede a passagem do líquido. O acúmulo de material sólido acaba gerando um depósito, que vai aumentando de acordo com a operação.

Os campos de aplicação da filtragem são:

- Separação de sólidos relativamente puros de suspensão diluídas;

- Clarificação total (e às vezes até o branqueamento simultâneo) de produtos líquidos encerrando pouco sólido;

- Eliminação total do líquido de uma lama já espessada.

Ao contrário do que se pensa comumente, os poros do meio filtrante não precisam ser necessariamente menores do que o tamanho das partículas. De fato, os canais do meio filtrante são tortuosos, irregulares e mesmo que seu diâmetro seja maior do que o das partículas, quando a operação começa, algumas partículas ficam retidas por aderência e tem início a formação do deposito, que é o verdadeiro leito poroso promotor da separação. Tanto isso, é verdade que as primeiras porções do filtrado são geralmente turvas.

Em muitas situações, o meio filtrante é previamente recoberto com um material inerte que se destina a reter os sólidos em suspensão, consistindo em um pré-revestimento. O sólido empregado é denominado auxiliar de filtração, ou ainda, coadjuvante de filtração.

Os auxiliares de filtração são bastante utilizados para acelerar a filtração ou ainda para possibilitar a coleta mais completa das partículas mais finas da suspensão. Portanto, outra função do auxiliar de filtração é diminuir a compressibilidade do depósito.

Ele desempenha o papel de “esqueleto” do depósito. A adição tem por finalidade impedir a compactação que vai se formando durante a filtração, mantendo-o poroso durante todo o ciclo.

Meio filtrante é o filtro propriamente dito, o que vemos por fora e chamamos de filtro é o vaso de filtração

Tão grande é a variedade de meios filtrantes utilizados industrialmente que seu tipo serve como critério de classificação dos filtros:

- Leitos granulares soltos: os mais comuns são feitos de areia, pedregulho, carvão britado, escória, calcáreo, coque e carvão de madeira, prestando-se para clarificar suspensões diluídas e reter sólidos.

Leitos rígidos: são feitos sob a forma de tubos porosos de aglomerados de quartzo ou alumina (para a filtração de ácidos), de carvão poroso (para soluções de soda e líquidos amoniacais) ou barro e caulim cozidos a baixa temperatura (usados na clarificação de água potável). Seu grande inconveniente é a fragilidade e a baixa vazão.

Telas metálicas utilizados em linhas de vapor: podem ser chapas perfuradas ou telas de aço carbono, inox, níquel ou monel. São utilizadas nos “strainers” instalados nas tubulações de condensado que ligam os purgadores às linhas de vapor e que se destinam a reter ferrugem e outros detritos capazes de atrapalhar o funcionamento do purgador. Utilizam-se também nos filtros mais simples que existem, os “nutsch”, e nos rotativos.

Tecidos: são utilizados industrialmente e ainda são os meios filtrantes mais comuns. Há tecidos vegetais, tecidos de origem animal, minerais e plásticos. O inconveniente é que a duração de um tecido é limitada pelo desgaste, o apodrecimento e o entupimento. Por este motivo, quando não estiverem em operação, os filtros devem ficar cheios de água para prolongar a vida do mesmo. Por outro lado, o uso de auxiliares de filtração diminui o entupimento dos tecidos, prolongando sua vida útil.

Membranas. Membranas semipermeáveis, como o papel pergaminho e as bexigas animais, são utilizadas em operações parecidas com a filtração, mas que na realidade são operações de transferência de massa, como diálise e eletro-diálise.

Os critérios de escolha do meio filtrante devem incluir:

- a capacidade de remoção da fase sólida ou elemento mineral;

- a possibilidade de uma elevada vazão de líquido para uma dada queda de pressão;

- a resistência mecânica;

- a inércia química frente a suspensão a ser filtrada e a qualquer líquido de lavagem.

Como é natural, cada uma destas considerações deve ser contra balanceada com os aspectos econômicos, de modo que o operador do filtro escolha o meio filtrante que satisfaça aos padrões da filtração.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Nova Etapa de Revisão do Plano Nacional de Recursos Hídricos – PNRH 2021 - 2040


É neste ano de 2020 que finda o período da última revisão do Plano Nacional de Recursos Hídricos, documento que tem por objetivo orientar a gestão das águas no país. Nesta revisão 2016-2020 foram listadas dezesseis prioridades (conforme quadro), das quais podemos concluir que temos conquistas ao longo do tempo, mas não são maiores que os desafios que temos pela frente. Esta próxima etapa do planejamento prevê um horizonte até 2040 e teremos mais uma oportunidade, que nos é garantida legalmente, de participar ativamente daquela que deverá ser a nossa próxima agenda comum para uma gestão de recursos hídricos mais eficaz.


O cenário atual se apresenta com muitos dilemas que se evidenciam através de fatos que dispensam quaisquer argumentos. Foram rompimento de barragens, incêndios florestais, extremos climáticos, deslizamentos, enxurradas, inundações, secas, guerras pela água e poluição que impactam diretamente os recursos hídricos afetando o dia a dia da população e de diversos usuários que dependem deste recurso para o pleno desenvolvimento de sua atividade.


Mesmo estando elencadas prioridades no Plano Nacional de Recursos Hídricos que, se implementadas na sua integralidade, poderiam evitar tragédias como vimos ao longo do período de 2016-2020, pergunta-se: qual o limite entre o planejamento e os fatos?; até onde podemos evitar situações extremas usando o planejamento como instrumento de gestão?; qual o nível de envolvimento dos participantes no planejamento?; como ele é difundido e utilizado para tomada de decisões?; estamos utilizando o plano nacional para planejar os planos estaduais e consequentemente os planos de bacias?; e os planos setoriais, conversam com os planos de recursos hídricos?


Estas questões têm por intuito nos inquietar diante do que temos, do que funciona, e principalmente do que precisa mudar para que que tenhamos um instrumento que tenha mais eficácia, para que de fato às águas possam chegar em quantidade e qualidade a todos. São muitas burocracias e empecilhos, temos uma distância temporal quilométrica entre o papel e a ação, precisamos buscar inovações significativas que tragam respostas aos problemas e que ao longo dos anos as prioridades possam ser realmente alcançáveis. É preciso coragem e união para promover transformações.

Hoje temos mais acesso a redes e sistemas


de informações, documentos e indicadores setoriais que podem sem dúvida qualificar muito mais a nossa participação nesta etapa de revisão do Plano Nacional de Recursos Hídricos, como por exemplo, o Plano Nacional de Segurança Hídrica que foi lançado em 2019, que aponta indicadores de segurança hídrica considerando a dimensão humana, econômica, ecossistêmica e de resiliência. Outro exemplo é o recente alerta divulgado pelo Estadão sobre a guerra pela água no Brasil, que apontam 223 “zonas de tensão” permanente de disputa por água, enquanto este número era de 30 zonas de tensão há dez nos atrás.


É preciso um entendimento coletivo da importância com os cuidados para com a natureza, pois dependemos dela para viver, sem ela não há vida, não há desenvolvimento. Os fatos nada mais são do que as respostas que recebemos em relação a maneira que tratamos a natureza. Por isso, o Plano Nacional de Recursos Hídricos representa o nosso pacto em relação a maneira que iremos considerar a água como prioridade. Finalizo parafraseando o economista chileno Carlos Matus “se planejar é sinônimo de conduzir conscientemente, não existirá então alternativa ao planejamento. Ou planejamos ou somos escravos da circunstância. Negar o planejamento é negar a possibilidade de escolher o futuro, é aceitá-lo seja ele qual for.”
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